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Mãe coruja de filho inteligente (I) Ela leva o filho mais velho ao hospital. Desde a madrugada, Dudu não para de vomitar. Está pálido, olhos fundos, barriguinha doendo. Mamãe também está doente. De preocupação. Só não está se sente ainda mais angustiada porque percebe que o filho não parou de conversar. Inteligente como ele só, Dudu pontua a internação com comentários espirituosos: - Mamãe, ali na placa está escrito EMERGÊNCIA. Então, por que não sou atendido logo?
Escrito por Sandra Kiefer às 19h33 [ ] [ envie esta mensagem ] Mãe coruja de filho inteligente (II) O saguão do hospital lembra fila do SUS. Sempre cabe mais um. Mãe e pai tentam distrair o filho, que aguarda atendimento. Dudu reclama da demora. Para ganhar tempo, papai diz que ele será chamado em 10 minutos. Quer ver? Propõe contarem juntos até dez, bem devagar. Dudu fica animado, mas logo interrompe a contagem: - Papai, estou passando tanto mal que nem consigo contar direito...
Escrito por Sandra Kiefer às 19h33 [ ] [ envie esta mensagem ] Mãe coruja de filho inteligente (III) Enquanto o irmão está no hospital, tomando soro na veia, o filho mais novo tenta dormir. É somente um bebê de três meses, mas inventou um método próprio para pegar no sono. Não chega a contar carneirinhos para dormir. Melhor do que isso. Cismou de “cantar” para embalar o próprio sono. O adulto canta uma canção de ninar e o bebê faz coro ao acompanhante, murmurando: - Aaaaaah... Aaaaaah... Aaaaaah... Escrito por Sandra Kiefer às 19h32 [ ] [ envie esta mensagem ] Construção Dudu chegou em casa dizendo ter descoberto que vai ser quando crescer: construtor. Comprovou sua convicção exibindo diversos rascunhos de desenho. Para a mãe, não passavam de rabiscos. Eram lindos sim, mas ainda não faziam sentido sem a legenda, ou seja a explicação do autor. Para ele, eram projetos de prédios, construções, pontes. Um deles, mais elaborado, tratava-se de um laboratório de bebês, conforme explicou para a mãe, encantada. Ela ficou admirada com o filho de apenas quatro anos de idade, que já sabia esboçar o que queria da vida. Ele pareceu maior do que era. Gigante. Escrito por Sandra Kiefer às 16h47 [ ] [ envie esta mensagem ] Dudu abraça e beija a barriga da mãe a cada 10 minutos. Está louco com a ideia de ter um irmãozinho. Tanto pediu, que finalmente conseguiu o que queria. Terá uma companhia para jogar bola, desafiar no Super Mário Bross, brincar a valer. Está tão entusiasmado com a gravidez, que passou a proteger a mamãe. Chegou a se recusar a andar de bicicleta com ela. Na hora, ela não entendeu direito. Pensou que ele talvez estivesse gripado ou com febre. Logo Dudu, que adora andar de bicicleta com ela, ensinar novas manobras, impor desafios. Ela o chama de seu personnal trainer de bicicleta. Cá entre nós, ele é o seu treininha. Resolveu perguntar ao garoto qual seria a razão de ele se negar a subir na bike: - Hum… – respondeu Dudu, sem entregar o motivo. - Fala com a mamãe, filho! Você está doente? – indagou, já aflita. - Sabe mamãe, primeiro vamos ter de comprar uma bicicleta com rodinhas para você. Igual à minha! – desabafou o filho, demonstrando sua preocupação de a gestante se desequilibrar e cair com aquele barrigão. Escrito por Sandra Kiefer às 08h28 [ ] [ envie esta mensagem ] Presente de Deus Dudu adorou a notícia de que terá um irmão. Desde que nasceu, pede para a mãe encomendar um menino que vai se chamar Bernardo. Conseguiu. A prova veio com o primeiro ultrassom. Dudu foi junto. Queria ver a foto do bebê dentro da barriga. Ele estava aflito para saber se era menino ou menina. Ficou irritado com o médico, que fez um suspense danado antes de revelar o sexo da criança. Mas Dudu tinha pressa. Queria ter logo acesso à informação que seria crucial para os anos seguintes de convivência em família. Se fosse menina, seria jogada na lata de lixo. Mas o doutor estava mais interessado em exibir o diâmetro da cabeça, o tamanho do fêmur e outras informações totalmente irrelevantes para o irmão. Irritado, Dudu interrompeu a lenga-lenga: - Eu quelo saber se é menino ou menina a-g-o-l-a! – exigiu Dudu, dando um ultimato. Só então o médico explicou que estava tentando convencer Bernardo a descruzar as pernas e mostrar a que veio. Indiferente às "visitas", o bebê descansava dentro da barriga da mãe. Parecia deitado na rede, com as duas mãos na cabeça e as pernas em “v”. Manso. Nem se incomodou quando o radiologista deu umas pancadinhas na barriga, tentando acordá-lo. Bernardo é da paz, pensou a mãe. Escrito por Sandra Kiefer às 08h27 [ ] [ envie esta mensagem ] Desafinada Ela matriculou o filho na escola de música. Percebeu que ele tem ‘ouvido bom’, coisa que a mãe nunca teve. Aliás, nem ouvido, nem voz boa. Se arrependimento matasse, ela estaria caída no chão, fulminada por um raio. Neste caso, atingida pelas críticas do rapazinho de 4 anos. Ao ouvir a mãe cantar, Dudu disparou: - Para, mamãe! Sua voz é pior que a de uma batata podre… Escrito por Sandra Kiefer às 08h20 [ ] [ envie esta mensagem ] Primeira Copa do Mundo Dudu estava aflito com a série de erros da arbitragem no jogo Brasil e Holanda (que iriam resultar na nossa eliminação pela Copa do Mundo, somada à teimosia do técnico Dunga e à falta de craques no time). Lá pelas tantas, o garoto deu o seu palpite futebolístico: - Deviam expulsar logo… Escrito por Sandra Kiefer às 08h19 [ ] [ envie esta mensagem ] O piadista Do nada, Dudu começou a esbravejar: - Droga, droga, droga!!! Ela ficou só olhando. Sem comentários. Tentou não ser uma mãe repressora. Pensou em liberdade de expressão, lembrou que o filho já tinha feito cinco anos e tinha direito a protestar. Mas ele continuou a reclamar: - Droga, droga, droga!! Ela ficou curiosa e decidiu perguntar a razão de tanta revolta: - Para que tanta droga, filho! Aconteceu alguma coisa? Ele então fez a cara mais sapeca deste mundo e cantarolou: - Droga, drogaria Araújo! - emendou, repetindo o jingle que ouviu no rádio. Escrito por Sandra Kiefer às 08h17 [ ] [ envie esta mensagem ] Umbigo - Tá tudo bem aí, bebê? – perguntou Dudu, conversando com a ‘barriga’ da mãe. Escrito por Sandra Kiefer às 11h06 [ ] [ envie esta mensagem ] Notícia boa VAMOS TER UM BEBÊ!!! Escrito por Sandra Kiefer às 11h04 [ ] [ envie esta mensagem ] Leãozinho corajoso
Leãozinho corajoso
- Filho, mamãe tem que te contar uma coisa. - Hum... - Mamãe vai ter de viajar a trabalho e vai dormir fora. - Hum... - Mas é um dia só. No outro dia, mamãe já está de volta e nós vamos ficar juntinhos, tá? - Pode ir, mamãe. Eu agüento!
Escrito por Sandra Kiefer às 11h03 [ ] [ envie esta mensagem ] Receita de minipizza
Dudu ouviu a mãe reclamando do preço das minipizzas do Verdemar. A bandeja com seis custava R$ 7.
- Que absurdo! Dá para comprar duas pizzas das grandes! – comparou ela.
- Já sei a solução, mamãe. É só você comprar a pizza grande e atirar um raio encolhedor em cima dela... Pronto...vira uma minipizza na hora!
Escrito por Sandra Kiefer às 11h01 [ ] [ envie esta mensagem ] GENTE GRANDE Dudu chegou em casa dizendo ter descoberto que vai ser quando crescer. Construtor. Comprovou sua ideia exibindo diversos rascunhos de desenho. Para a mãe, não passavam de rabiscos. Eram lindos sim, mas ainda não faziam sentido sem legenda, sem a explicação do autor. Para Dudu, porém, eram projetos de prédios, túneis, pontes levadiças. Um deles, mais elaborado, tratava de um laboratório de bebês, conforme o menino explicou para a mãe. Ela ficou encantada com a convicção do filho. Aos quatro anos de idade, já sabia esboçar o que queria da vida. Ele pareceu ser maior do que é. Um gigante em forma de bebê. Escrito por Sandra Kiefer às 22h31 [ ] [ envie esta mensagem ] Teias da vida - A teia do Homem-Aranha é feita de chocolate, mamãe? – perguntou Dudu, ao voltar de uma festa temática de aniversário do Spider Man. Depois desse fora do Dudu, ela decidiu que o mundo do filho deixaria de ser cor-de-rosa. No mesmo dia, alugou a fita do Aranha. Ela teve medo, mas escancarou para ele as garras do Dr. Octopus, as trapalhadas de Peter Parker, os foras da namorada Mary Jane. Dudu teve uma overdose de realidade. Adeus dinossauro roxo, canções fofinhas e final sempre feliz. Que venham os heróis, cenas de luta e fantasmas reais e imaginários. Quando eles chegarem perto, você vai estar preparado, meu filho. Escrito por Sandra Kiefer às 22h02 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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